Título: EDUCAR ( mensagem para os pais e professores ) - Leitura do dia 26/08
Educar é viajar pelo mundo do outro sem nunca penetrar nele. É usar o que passamos para nos transformarmos no que somos. O melhor educador não é o que controla, mas o que liberta. Não é o que aponta erros, mas o que os previne. Não é o que corrige comportamentos, mas o que ensina a refletir. Não é o que desiste facilmente, mas o que estimula sempre a começar de novo.
O educador de excelência abraça quando todos rejeitam, anima quando todos condenam, aplaude os que nunca subiram ao pódio, vibra com a coragem de competir dos que ficaram em últimos lugares. Não procura o seu próprio brilho, mas faz-se pequeno para tornar os seus filhos, alunos e colegas de trabalho grandes. O mestre de excelência não é o que sabe mais, mas o que mais tem consciência do quanto não sabe. Não é o viciado em ensinar, mas o mais ávido em aprender. Não é o que declara os seus acertos, mas o que reconhece as suas próprias falhas. Não é o que guarda informações na memória, mas o que expande a maneira de ver, de reagir e de ser.
EDUCAR É A TAREFA INTELECTUAL MAIS FASCINANTE E, AO MESMO TEMPO, A QUE MAIS REVELA A NOSSA IMPOTÊNCIA. Se educar uma criança ou adolescente é uma incumbência dificílima, imagine educar a criança mais instigante que pisou nesta terra, o Menino Jesus?Que educador daria conta dessa missão? Desde pequeno ele era especialista em perguntar. Questionava, indagava, queria saber tudo. Quem estaria intelectualmente preparado para educar aquele que seria o Mestre dos mestres?
Que pais? Que universidade? Que teólogos? É tão fácil errar nessa área. É tão fácil transmitir os nossos traumas, inseguranças, medos, manias aos nossos filhos e alunos?
Havia milhares de candidatas. Mas uma jovem destacou-se diante do olhar clínico apuradíssimo do Autor de existência. Seu nome: Maria. Maria aparentemente frágil, muito jovem e inexperiente. O que tinha ela de tão especial? E mais estranho ainda. Antes de iniciar a sua arriscadíssima e difícil missão, ela previamente recebeu a notícia de que se tornaria a mais elogiada mulher da História. Receber o troféu antes de iniciar a corrida contaminaria de orgulho o desportista? Não o distrairia da sua meta e frustraria a sua jornada? Porque foi depositada nela tanta confiança? Por que é que Deus Todo-Poderoso descrito na bíblia não escolheu um grupo de intelectuais notáveis entre os escribas e fariseus para educar seu filho? Por que não incumbiu uma casta de sacerdotes judaicos, que conhecia os rituais religiosos, para educar o Menino Jesus? Por que não escolheu especialistas em filosofia grega para formar o homem que dividiria a História? Uma adolescente foi escolhida. Não era rica, não pertencia a uma linhagem de classe alta e ainda morava numa região socialmente desprezada, a Galiléia. Que segredos possuía essa jovem que conquistou aquele que se diz Omnisciente, que conhece todas as coisas? A sua escolha foi ao acaso ou criteriosa? Maria foi escolhida por elementos intelectuais ou espirituais? Se fosse uma mulher frágil, assaltada pelo medo e pelo stress, teria condições de educar o filho de Deus, cuja história foi pautada por frustrações e rejeições? Se fosse insegura, não teria ela afetado o território da emoção do menino? Se amasse o exibicionismo e não a discrição, o seu processo educacional não seria um desastre? Hoje nos tempos atuais em que a educação mundial, do ensino básico até a universidade, está a formar uma massa de jovens que não pensam criticamente nem sabem lidar com desafios existenciais, como estudar a mulher que foi incumbida de educar o Menino Jesus. Isso oxigena a nossa inteligência.
Ela não se intimidava com palavras que se quer conhecia. Não poderia ser super protetora, pois o filho que cresceria aos seus pés enfrentaria o sistema social sem nenhuma proteção.
Se Maria tivesse medo dos eventos da vida, não estaria apta para educar o Menino Jesus. Se ela, como muitos pais, fosse escrava do medo do futuro, não estaria preparada para educar o homem que mais riscos correria na história. Jesus não poderia ser educado por uma mãe que temesse a vida.
Alguns educadores são controlados pelo medo de falhar, preferem a omissão do que a ação. Maria preferia a ação. Bons educadores evitam surpresas, Maria viveu uma vida pautada por fatos imprevisíveis. Maria tinha que ser muito mais que uma educadora sensata. Não sabia quais seriam os percalços do caminho, mas estava disposta a ir em frente. Educar é caminhar sem ter a certeza de onde se vai chegar.
Educadores que querem controlar tudo na educação dos seus filhos e alunos e até dos seus colegas de trabalho, que tem medo de falhar, acabam por transmitir o que mais detestam: A insegurança e o medo.
Muitos riscos rondam a educação dos jovens. Riscos de desenvolverem transtornos psíquicos, de consumirem drogas, de não terem empregos satisfatórios, de serem infelizes nos seus casamentos e muitos outros. O que fazer quando algo corre mal com os jovens? Enfiar a cabeça na lama da culpa? Sucumbir no vale do desespero? Não! A culpa excessiva esmaga a lucidez e o desespero esfacela o prazer de viver.
Devemos dar o melhor de nós na educação, mas devemos estar convictos de que não fabricamos a personalidade dos nossos filhos e alunos, apenas a influenciamos. Quem não corre riscos está inapto para educar.
Educar filhos não é gritar, condenar, julgar, ofender, magoar com atos e palavras. Educar não é por um celular um tablet nas mãos da criança para ter sossego. É sossegar junto com a criança. Acalmar, dar aconchego e conversar e conversar muito. Filhos precisam de pais para se abrir e confiar.
Que Deus abençoe todos os pais e professores .
Associação do Movimento Espiritualista Morimbatá - AMEM