Título: AS DUAS FACES DA CULPA (leitura do dia 23/05)
A culpa nos paralisa no tempo e ficamos soterrados sob os escombros de nossos desacertos. Ela interrompe nossas oportunidades de crescimento no presente em virtude de nossa obstinação neurótica em comportamentos do passado. A culpa se estrutura nas crenças antigas do “pecado” irreparável e nos alicerces do perfeccionismo.
Só quando aceitarmos que a vida perfeita é impossível, quando aprendermos que há limites em nosso grau evolutivo, quando nos conscientizarmos de que não temos todas as respostas para o que acontece, quando aceitarmos que somos passíveis de falhas ou enganos, quando abandonarmos o complexo de onipotência, é que a culpa terá acesso restrito em nosso mundo íntimo.
O arrependimento é diferente da culpa. O arrependimento se manifesta quando tomamos ciência de que sabíamos fazer algo melhor e não o fizemos, enquanto que a culpa é prepotência daquele que crê que “deveria ter agido melhor”, que “deveria ter previsto antes...”, porém não o fez, porque sua consistência evolutiva era limitada. A raiz da culpa é o nosso imenso orgulho e as expectativas absurdas “de como nós e os outros deveriam ser, de como deveríamos nos comportar diante dos fatos e acontecimentos”.
Quem se arrepende abandona a culpa, pois não mais aprova os velhos comportamentos e atos imaturos. Porém, não se auto castiga pelo fato de não ser perfeito, nem causa a própria ruína física ou emocional, abandonando-se num mar de lamentação e pesar. Ao contrário: assume a responsabilidade de seus erros e evita repeti-los; ao mesmo tempo, abranda seu julgamento e perdoa a si mesmo.
Tudo aquilo que nos parece negativo é apenas um “caminho preparatório” para alcançarmos um bem maior e definitivo. Mesmo os comportamentos que acreditamos nos levar aos caminhos do mal não devem ser vistos como perdição eterna, mas somente opções equivocadas do nosso livre-arbítrio, que não deixam de ser experiências compensatórias e de aprimoramento a longo prazo.
Em se tratando de culpa, cada qual deve fazer uma autoanálise, visto que a falta é sempre proporcional a cada consciência.
Use seus erros e desacertos para o seu crescimento interior. Aprenda com suas culpas e eleve-se para uma Vida Maior.
(Hammed)
Associação do Movimento Espiritualista Morimbatá - AMEM